Tratamento fisioterapêutico

Tratamento fisioterapêutico

O tratamento fisioterapêutico tem papel fundamental em duas circunstâncias: na prevenção e na reabilitação da pessoa com hemofilia.

Na prevenção, a fisioterapia possibilita a identificação precoce de quaisquer alterações passíveis de intervenção terapêutica e/ou profilática antes que evoluam para comprometimentos de maior extensão.  Já na reabilitação, a fisioterapia tem a função essencial de mensurar o grau de comprometimento músculo-esquelético (músculos e articulações) por meio de uma avaliação física que permite a elaboração de um plano de tratamento individualizado.

A avaliação física consiste na verificação de sinais e sintomas presentes no indivíduo, do grau do comprometimento músculo-esquelético apresentado e da análise e interpretação dos dados obtidos. Ela é indicada para TODAS as pessoas com hemofilia, o que varia é a frequencia de sua realização. Para pessoas com hemofilia leve, é recomendado que a avaliação seja feita uma vez ao ano, a cada 6 meses para as pessoas com hemofilia moderada e a cada 3 meses para os indivíduos com hemofilia grave.

No caso da reabilitação, tanto os sangramentos musculares quanto os articulares em estágios agudos, subagudos e crônicos demandam tratamento fisioterapêutico. Independente do tipo de sangramento que o indivíduo apresenta, a avaliação física deve ser realizada de forma minuciosa com o intuito de determinar quais recursos terapêuticos são mais adequados para tratar os sinais e sintomas desenvolvidos.

Não necessariamente a aplicação do fator deve ser realizada antes da fisioterapia, a indicação do uso vai depender da incidência dos episódios de sangramento. Se os episódios tiverem sido recentes, a pessoas deve ser orientada a fazer a reposição do fator pela manhã, no mesmo dia da sessão.

Além da fisioterapia propriamente dita, o profissional fisioterapeuta desempenha outra função essencial para o sucesso do tratamento: a disseminação do conhecimento e informação que são fundamentais no tratamento da pessoa com hemofilia. Isso porque quando o indivíduo entende a sua condição, ele é capaz de fazer escolhas que limitam o impacto da coagulopatia sobre sua vida, assim como é estimulado a ser agente pró ativo do seu tratamento para que os resultados sejam efetivos.

Alguns dos Centos de Tratamento de Hemofilia (CTH)/Hemocentros dispõe de profissionais especializados no tratamento fisioterapêutico para pessoas com coagulopatias. No caso de não haver esse profissional no local de tratamento, existem outras possibilidades como, por exemplo, clínicas ou consultórios particulares onde o profissional tenha treinamento em hemofilia, assim como faculdades de fisioterapia que tenham na clínica-escola algum profissional capacitado para atender as pessoas com coagulopatias. No caso do profissional não dispor de treinamento, é fundamental haver o diálogo e troca de conhecimentos com os fisioterapeutas experientes na área. Por isso, os profissionais não capacitados para o tratamento da hemofilia e que tenham interesse em atuar devem solicitar materiais e também treinamento para os fisioterapeutas especialistas. Esse intercâmbio de conhecimento é essencial para o sucesso do tratamento.

É importante salientar que qualquer fisioterapeuta pode tratar uma pessoa com hemofilia desde que tenha conhecimento da coagulopatia, de suas complicações e dos recursos que podem e devem ser utilizados para o adequado manejo, seja na prevenção ou na reabilitação. Existe uma série de materiais disponibilizados pelo Ministério da Saúde (MS), Federação Brasileira de Hemofilia (FBH), Federação Mundial de Hemofilia (FMH) e outras instituições, tanto impressos como audio-visuais que auxiliam no processo de capacitação. O Manual de Reabilitação na Hemofilia do MS é um desses materiais, foi elaborado pelos profissionais mais experientes do país na área da hematologia, fisioterapia e ortopedia. É uma ferramenta que dispõe de informações e orientações concernentes ao manejo na reabilitação da pessoa com hemofilia. Conheça o Manual de Reabilitação na Hemofilia: clique aqui e acesse!

Para que haja êxito no tratamento, a pessoa com hemofilia deve buscar o máximo de informações possíveis a respeito da hemofilia e de sua condição músculo-esquelética junto ao CTH, para que possa fazer exercícios domiciliares preventivos e aderir completamente ao tratamento proposto.  Se morar longe do CTH e identificar um fisioterapeuta em sua cidade, poderá passar as informações a esse profissional e ser um elo entre ele e o fisioterapeuta do CTH.  Assim, novos profissionais interessados poderão ser capacitados, contribuindo para a descentralização do tratamento e qualidade de vida da pessoa com hemofilia e familiares.

O profissional fisioterapeuta, além do educador físico especialista em coagulopatias, também pode orientar sobre a prática de esportes. Atividades físicas de baixo impacto são recomendadas, pois ajudam a pessoa com hemofilia a fortalecer os músculos, além de proporcionar integração social. O trabalho em conjunto entre esses dois profissionais deve ser realizado sempre que possível, para orientar particularmente as pessoas com hemofilia na execução de exercícios físicos apropriados para cada caso, de acordo com suas necessidades, possibilidades e gosto pessoal.

Elaboração e revisão técnica: 

Janaina Bosso da Silva Ricciardi – Fisioterapeuta  pela UNIMEP; Mestrado em Clínica Médica pela Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP, onde atualmente cursa Doutorado. Fisioterapeuta do IHTC – Internacional Haemophilia Treatment Center: “Cláudio Luiz Pizzigatti Corrêa” – Hemocentro da UNICAMP desde 2001. Tem experiência na área de Fisioterapia nas Desordens Músculo-Esqueléticas, com ênfase nas Alterações Hematológicas e Hidroterapia. Membro do CAT da FBH.

Glenda Feldberg Andrade Pinto – Fisioterapeuta formada pela PUC/Campinas; Pós-Graduada em “Piscina terapêutica”; Extensão Universitária em “Hidroterapia Avançado”; Mestre em ciências na área de concentração em Clínica Médica da Unicamp; Fisioterapeuta no Hemocentro da Unicamp desde 2010.