Tratamento odontológico

Tratamento odontológico

Pessoas com coagulopatias devem ter cuidados especiais ao buscar tratamento odontológico

O planejamento do atendimento odontológico integral das pessoas com coagulopatias deve considerar a prevenção e a educação sobre a saúde bucal do paciente o mais breve possível, ou seja; a partir do diagnóstico.

Ao perceberem a necessidade de qualquer tratamento odontológico ou serem encaminhados para tal, a pessoas com hemofilia ou outras desordens hemorrágicas, devem buscar atendimento odontológico em seu Hemocentro, ou Centro de Tratamento de Hemofilia (CTH). Cada CTH deve ter uma equipe composta vários profissionais, entre eles, um cirurgião dentista especializado no atendimento a pessoas com desordens hemorrágicas.

No caso de não haver dentista na equipe multiprofissional do Centro de Tratamento de Hemofilia, o paciente poderá procurar atendimento nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), que são estabelecimentos de saúde, participantes do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES, classificadas como Clínica Especializada ou Ambulatório de Especialidade.

Os Centros de especialidades Odontológicas estão preparados para oferecer à população, os seguintes serviços:Diagnóstico bucal, com ênfase no diagnóstico e detecção do câncer de boca, periodontia especializada, cirurgia oral menor dos tecidos moles e duros, endodontia e atendimento a portadores de necessidades especiais.

O tratamento oferecido nos Centros de Especialidades Odontológicas é uma continuidade do trabalho realizado pela rede de atenção básica e no caso dos municípios que estão na Estratégia Saúde da Família, pelas equipes de saúde bucal. Os profissionais da atenção básica são responsáveis pelo primeiro atendimento ao paciente e pelo encaminhamento aos centros especializados apenas casos mais complexos, incluindo as coagulopatias: (http://bit.ly/1hGrP72)

Outra possibilidade também é que, tendo em mãos o Manual, o paciente possa procurar pelo atendimento odontológico próximo à sua casa. Neste caso, o Cirurgião Dentista, após ler o Manual, poderá procurar o CTH/Hemocentro para discutir e planejar o atendimento do paciente. Ademais, o paciente também poderá recorrer à FBH ou a sua Associação Estadual de Hemofilia para solicitar ajuda e orientação nesse processo de busca ao atendimento Odontológico.

É importante que o paciente ser certifique de que o cirurgião dentista que fará seu atendimento conhece a sua coagulopatia e é  capaz de entender a inter-relação entre o tratamento a ser proposto e a o manejo hematológico da coagulopatia.

Uma nova revisão do “Manual de Atendimento Odontológico a Pacientes com Coagulopatias Hereditárias, que foi publicada em 2016, expõe todas as orientações básicas e detalhadas para a realização dos procedimentos Odontológicos  (http://bit.ly/2tRYvbs). Este manual, indicado para profissionais da área, deve ser consultado e estudado por todos aqueles que atendem ou pretender atender pessoas com desordens hemorrágicas.

Após a leitura dos cuidados no manejo odontológico a pacientes com coagulopatias e com o planejamento do tratamento odontológico a ser realizado, o cirurgião dentista deverá entrar em contato com o hematologista ou com o Centro de Tratamento de Hemofilia onde o paciente está cadastrado, para que junto ao Hematologista e a Equipe Multidisciplinar, planeje a reposição prévia de fatores de coagulação ou de qualquer outra medida de hemostasia necessária para cada procedimento, em cada paciente.

O TRATAMENTO ODONTOLÓGICO

 A reposição dos fatores de coagulação (RFC) é indicada para prevenir ou tratar um episódio de sangramento. Sendo assim, os procedimentos não invasivos, realizados na boca, podem ser feitos sem a reposição.  No entanto, a maioria dos procedimentos odontológicos implicam no uso de anestesia. Devido às diferentes técnicas anestésicas utilizadas pela odontologia, algumas requerem a reposição do fator de coagulação (RFC)desordrãoespeciais a se coloque o atendimento odontol aqueles que atendem ou pretender atender pessoas com desordens hemorrpreviamente ao procedimento.Por exemplo, a restauração (obturação) de um dente, pode ser feita sem a RFC. Entretanto, se for preciso anestesiar o dente que será obturado, na dependência da técnica anestésica a ser utilizada, a RFC será necessária.

Atualmente não existe um protocolo especifico para o atendimento odontológico a pacientes em uso de profilaxia. Nestes casos, se faz necessária a decisão de quais são os procedimentos que podem ser realizados na vigência da profilaxia, dando sempre preferencia para o atendimento odontológico no mesmo dia da infusão profilática. Cada caso deve ser analisado individualmente, em conjunto entre o médico hematologista, o cirurgião dentista e o paciente.

Dentro do tratamento odontológico, existem alguns procedimentos invasivos para o paciente, como nos casos de extrações dentárias, tratamento periodontal, implantes e técnicas anestésicas. Nesses casos, o tratamento deve ser evitado por profissionais que desconhecem os riscos envolvidos no manejo odontológico nesse grupo específico de indivíduos. Sendo assim, se faz necessário conversar com o médico responsável pelo tratamento do paciente antes da realização do procedimento.

Quando o paciente for a um dentista particular, em que o profissional desconheça a disfunção hemorrágica, deve-se imediatamente informar ao profissional sobre a coagulopatia que apresenta, assim como quaisquer outras informações sobre sua saúde e medicações que utiliza. Isso evita que o paciente se coloque em riscos desnecessários. É importante que o cirurgião dentista tenha conhecimento da coagulopatia, pois somente assim poderá fazer um planejamento seguro para o tratamento odontológico. Como alternativa para esses tipos de caso, o paciente deve informar ao dentista sobre o Centro de Tratamento ao qual recebe atendimento, assim como o nome e contato do médico responsável pelo seu tratamento.

Elaboração e revisão técnica:  Maria Elvira Pizzigatti – Graduação em Odontologia pela Unicamp; Mestrado e doutorado em Clínica Médica pela Universidade Estadual de Campinas; Pós doutorado realizado no Fred Hutchinson Cancer Research Center e Seattle Cancer Care Alliance, Seattle, WA, USA em 2012. Responsável pelo Ambulatório de Odontologia do Centro de Hematologia e Hemoterapia Universidade Estadual de Campinas. Membro do CAT da FBH.